terça-feira, 30 de agosto de 2011

O DOM DO BULLYING

              

A cena é simples e comum. Amigos na escola implicando um com os outros. Então surge o aluno mais baixo, e o que era uma implicância mútua, se torna focada. Não há brigas, não há crueldade, somente a implicância que proporciona aos líderes um grande número de fãs e risadas. O pequeno detalhe dessa cena? Eu sou o baixinho zoado.
           
            Quando nos tornamos o motivo da brincadeira, podemos tomar duas atitudes: rir de nós mesmos e aceitar que somos diferentes ou se enclausurar no próprio mundo afim de que os outros não possam intervir. Eu fiz a segunda escolha. Não conseguia me ver como diferente, estranho, imperfeito. Não aceitei a ideia de rir da minha própria cara; não via graça em ser colocado em latas de lixo simplesmente por caber nelas; não achava interessante ser jogado dentro de outras salas só por ser o único que conseguiam segurar. Não conseguia exprimir qualquer outro sentimento que não fosse a raiva quando era jogado e trancado dentro da sala de material esportivo ficando lá até o professor voltar para guardar as bolas.  

            Por isso por tantas vezes preferimos a reclusão, o mundo próprio e, assim, nos incluímos nos grupos marginalizados pela classe, como os gordinhos, os nerds, os baixinhos etc.

              Já ouviram falar que todo baixinho é invocado ?? Pois entendam esse processo como uma defesa social. Aprendi a afrontar aqueles que me cercavam com o único intuito de marcar presença, de mostrar que estando ali deveria ser respeitado. Digo isso porque quando me tornei adolescente cansei de ser o alvo e resolvi brigar com todo aquele que me provocava. Em pouco tempo eu tinha mais inimigos no colégio do que eu seria capaz de contar. Apanhei tantas vezes nessas brigas na saída da escola que o orgulho, o grande motivo delas, acabava em frangalhos, entre um chute e um tapa na cara. E o culpado de tudo isso morava dentro de mim. Eu precisava sentir aquele gosto de sangue, aquela dor lancinante, aquela mágoa no coração, pois isso me tornava um deles. Ali, brigando, eu mostrava que não importava, me tornava um deles e batia como um deles, sangrava e sentia a mesma dor como todos eles. Nessas brigas eu virava o foco da atenção. Os olhares ficavam comigo e o marginalizado se tornava o ápice.

            Com o tempo a mente cresce e a violência fica perigosa. Descobri que já não podia desafiar, pois o resultado seria muito pior. Lembro-me da última briga e o que antes se resumia em socos e pontapés, agora envolvia pedras. A raiva entupida em minhas artérias ao longo do tempo me tornou insano. Desejei a morte de muitos deles por bastante tempo.

            Embora a briga cessasse, ficou claro que o estrago mental estava feito. Tornei-me um cara explosivo com tudo e revoltado com meus pais. Afinal, minha mãe dava aula na minha escola e nunca se pronunciou sobre os acontecimentos. Hoje, mais velho, sei que ela nunca soube das brigas e suas motivações, mas na época eu não me conformava com o fato de não ser  defendido por eles. Porém, que culpa possuem quando eu, o único interessado, jamais os procurei para relatar tais abusos?



           
            Perdi então o apego, o carinho, a vontade de estar em casa. Meu quarto virou um refúgio, assim como o esporte. Evitava conversas, brincadeiras, convivência familiar... qualquer comentário era respondido com agressão verbal. Eu era um jovem problemático. Na tentativa de me recuperar, minha mãe me batia pelas minhas falhas. Apanhei muito e admito que todas as vezes foi merecido, no entanto, minha mãe nunca soube os motivos pelos quais eu cometia esses erros. Durante esses anos percebo que distanciei meus pais de mim. Evitei o amor que eles queriam me dar. Não conversamos como eles desejavam.

            Nunca fui mal aluno, ao contrário. Notas boas sempre, esse era o lema lá em casa. “Se você não faz outra coisa na vida a não ser estudar, melhor tirar notas boas senão terá que se entender com sua mãe”, dizia meu pai quando ficava preocupado com nosso estudo. Então eu estudava, assim evitava problemas e tudo parecia estar bem.

            Ainda não sei como não caí nas drogas, pois tive todas as oportunidades para isso. Mas a força do discurso e o ótimo exemplo em casa foram válidos. Não desejei me incluir no grupo dessa forma.

            Ganhei em casa o apelido de o Bravo. Meus pais se chateavam com a forma que eu transformava tudo em briga, na forma como eu encarava qualquer coisa como discussão, na maneira grossa e rude que lidava com qualquer objeção feita aos meus pedidos.


           
Percebem no que me transformei, prezado leitor? Vi amigos gordinhos se afundarem ainda mais na comida por não saberem como lidar com a rejeição. Vi nerds tentarem de tudo para serem aceitos, fazendo trabalhos e provas para outros em troca de um pouco mais de participação nos grupos de cobiçados alunos. Presenciei a transformação de muitos deles. A forma como cada um se aceitou ... a maneira como cada família lidou ... a luta que cada um travou.

            Eu afoguei meu passado na marra. Fiz faculdade e ignorei os fatos da minha infância e adolescência. Formei e vim trabalhar no Rio fazendo o que gosto. Aos poucos retomei a rédea do futuro. Melhorei com a enorme paciência da minha esposa, que soube enxergar atrás da carcaça cascuda, o cara que morava lá dentro. Hoje tenho o enorme prazer de receber meus pais e irmãos em minha casa. AMO-OS demais e meu carinho e respeito por todos eles é enorme. Jamais discutimos seriamente sobre tudo o que aconteceu no passado, somente alguns comentários esporadicamente. Não posso culpá-los sequer pela omissão, afinal, o grande omisso fui eu.

            Agora casado com essa mulher linda e desejando ter filhos, pergunto-me todos os dias: como vou educar meus filhos? Como ensiná-los o respeito ao diferente? O que é o diferente?
           
            Se vc passa por esse tipo de abuso, fica a minha única dica: converse com seus pais. Receba o amor deles ... e talvez sua história seja diferente da minha.


           

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Família Mineira em dia dos Pais


Já tem duas semanas que tento terminar esse texto, porém as deliciosas sensações são muito mais complicadas de serem explicadas do que eu imaginava. Ainda me impressiono com a dificuldade que temos em relatar algo que simplesmente fez nosso coração bater diferente.

            O texto que desejo deixar como memória minha, para meus filhos, netos  ... e para quem quiser, é o relato único e simples do que é ter uma família com pessoas diferentes ... e respeitá-las e amá-las da forma como são.

            Meus irmãos e eu decidimos passar o dia dos pais na companhia dele e da minha mãe em Cabo Frio. Saímos na sexta após o serviço. No caminho, ainda no carro ... uma discussão gastronômica, sobre preferências e costumes. Sempre discutimos calorosamente, o que vira uma loucura dentro de um carro.
           
            Chegamos em Cabo Frio e meu coração já se encheu de carinho, nesse momento a discussão já havia sido esquecida. Um abraço gostoso no pai ... um beijo carinhoso da mãe e uma mesa de lanche farta a nossa espera. Sentamos todos na mesa e a conversa mineira começou. Aflitos para provar todos os quitutes feitos pelo meu pai fomos devorando tudo enquanto curtíamos a conversa. Nenhum papo muito sério ... somente o trivial, o leve !! Meu pai se dirigiu a nossa vitrola (essa mesma, aquela de muito tempo atrás) e colocou um vinil gostoso, uma música bem lounge. Eu poderia ficar o resto da vida ali ... contemplando esse momento.  Os risos provocados pelo meu irmão Danilo e sua extrema capacidade de fazer graça de qualquer assunto mantinham todos entretidos. Minha mãe sorria satisfeita com a presença de todos.

            Ansiosos para abrir os presentes que compramos para nosso pai, fomos entregando um a um. Danilo e eu compramos algumas garrafas de vinho que acreditamos agradar mais ao paladar do Sr Claudinho. Calmamente todos os vinhos foram abertos e admirados. Cada um deles recebia um comentário, ou sobre a uva, ou sobre a região. O Rômulo entregou um álbum com uma foto nossa agarrando o pai na cozinha da casa em Cabo Frio, uma das melhores fotos em família, excelente escolha a dele. Pouco tempo depois nosso pai já estava nos ensinando algo. Não sei bem o que acontece, mas aprendi a escutar mais o meu pai agora. Antes eu estava sempre muito mais preocupado em discutir com ele ... em dizer o que EU achava. Agora evito falar, escutá-lo tem me feito muito melhor e consigo sempre aproveitar algo positivo de sua experiência. Como teria sido muito mais fácil minha vida em São Luis se o tivesse escutado e compreendido mais. Ele erra as vezes, embora jamais admita, porém nessas horas eu não preciso brigar ... basta um sorriso e o silêncio. O julgamento será feito por mim ... depois de refletir um pouco sobre o assunto.

            A noite correu assim ... levinha ... solta !! Em pouco tempo estávamos todos prontos para ir dormir. Minha esposa que decidiu passar esse fim de semana conosco me abraçou e dormimos juntos.

            Levantamos no sábado animados. Café da manhã caprichado a nossa espera e meu pai já tinha saído com meu irmão para comprar o peixe que iria fazer no almoço. Na cozinha nossa empregada, que já está na família há tanto tempo que não consigo imaginar nossa casa sem ela por perto. A Sandra é assim ... aquele tipo de mulher que consegue fazer tudo ao mesmo tempo. Dá conta da casa ... da comida ... dos filhos dela ... de nós ... e ainda sabe o que agrada a cada um, incluindo nossas esposas. Ela está sempre quietinha, um tantinho tímida, mas acreditem ela sabe onde está tudo lá em casa. Dei uma braço gostoso nela, um beijo e já fui procurar o que teríamos no café da manhã. Um bom pedaço de bolo de nozes com maçã ... PERFEITO !!
           
            Após todo mundo tomar o devido café, começou a correria para ir para praia. Protetores solares, blusas, chapéus, toalhas e todos prontos para curtir o dia maravilhoso de sol que estava fazendo. Rumamos todos para um cantinho da praia sugerido por meu pai. Cadeiras abertas ... sombrinhas posicionadas e um visual lindo da praia. A água clara linda ... e aquela areia branca refletindo o sol que resolveu brilhar.
           
            Como a água estava gelada eu e meu irmão Danilo resolvemos jogar um pouco de frescobol para criar coragem e entrar na água. Suamos um pouco, afinal não somos profissionais no esporte e passamos a maior parte do tempo buscando a bolinha na areia. Já cansados fomos para o MAR. Então veio o choque ... não importa o quanto de exercício você faça, jamais será o suficiente para desejar entrar naquela água gelada de Cabo Frio. Mas como o mar estava lindo e as ondas nos chamando, encaramos o desafio e mergulhamos rápido, assim o corpo logo se acostumaria com o frio. Rômulo nos acompanhou nessa ida ao mar ... e mesmo reclamando enormemente resolveu se juntar e entrar na competição de “jacaré”. Para quem não sabe, esse é um esporte que se caracteriza por pegar ondas sem prancha ou qualquer outro objeto. Em nosso grupo ganha aquele que conseguir ir mais longe com a onda.
           
            Com o tempo nos tornamos profissionais nesse esporte. Adquirimos a capacidade de sermos levados pela onda até nossos corpos alcançarem o raso, onde a água toca nossos tornozelos. A grande diversão é que sabemos o quão bom somos ... mas nosso nível é muito parecido, pois passamos o nosso conhecimento uns para os outros e isso foi nos tornando exímios. O problema é que a competição fica muito apertada. Aí começa a brincadeira ... vale tudo para ganhar alguns metros no final !! Uma puxada na perna do irmão ... umas braçadas no fim da onda ... e algumas vezes até uma corridinha depois que acaba o embalo. Na verdade não ligamos para quem ganha ou perde. Cada um tem sua técnica aprimorada. Porém a diversão e a união dos irmãos é o que torna esses encontros inesquecíveis. Não há prazer maior do que descer uma grande onda, dividindo espaço com meus dois irmãos e vê-los algum tempo depois sorrindo com a vitória ou derrota de alguém.

            Na barraca nossa mãe já preocupada com o sol e a falta do protetor solar, pede então que passemos para que o sol não castigue nossa pele. Ficamos então conversando. Minha mãe então perguntou seriamente. “Queridos filhos, seu pai e eu estamos pensando em devolver a casa de Cabo Frio e queremos saber a opinião de vocês sobre esse fato.”. Percebam a seriedade do ato. Meus pais estavam conversando conosco para saber que futuro daria a casa de Cabo Frio. Ele não queria tomar essa decisão sozinho, queria dividir com a família.  Na hora eu respondi que meu desejo era manter a casa ... afinal ela proporciona a união de nossa família ... os encontros e as comemorações durante o ano. Meus irmãos falaram ... surgiram idéias, porém nenhuma delas era fortemente defendida. Precisávamos pensar no assunto.

            Nesse momento comecei a pensar em tudo o que somos e o que construímos. Poucas são as famílias que conheço que podem desfrutar do prazer da companhia de todos os integrantes. Menos ainda são aquelas que com todos os familiares juntos conseguem se entender sem brigar. Olhar meus pais e perceber tudo o que eles nos ensinaram com relação ao respeito e a moralidade foi extremamente importante para elucidar minha mente quanto a decisão sobre a casa de Cabo Frio. Não importa o lugar ... não importa a casa ... não importa nem mesmo o tamanho. Nada de palpável poderá indicar a união de nossa família. Não será uma casa no campo, ou na praia. Somos muito maiores do que isso. Descobrimos que o prazer de estar próximo um do outro é tão valioso que somente para aqueles que já tiveram o prazer de desfrutar dessa sensação pode entender a força que juntos temos. Sim temos nossas diferenças !! Sim, algumas vezes brigamos !! Porém não haverá briga ou discussão no mundo que consiga afastar o amor que temos dentro de casa.  Portanto não ligo se devolverem a casa ... ou se decidirem morar num sitío num condomínio em Juiz de Fora. Nós estaremos sempre por perto, mostrando afetivamente o carinho que temos uns pelos outros e que nossos pais nos ensinaram a admirar.
           
            Estar em casa é implicar com os irmãos, escutar a música do pai e cantar com ele, brincar com a mãe e rir das loucuras dela, comer e lembrar dos sabores da nossa infância, conversar, ouvir e discordar ... um desacordo que mesmo intenso não diminui o amor que temos por aquele que discordamos. Seguindo o que sempre escutamos em casa: “Vocês podem discutir qualquer coisa, mas jamais poderão brigar! Aprendam a respeitar a opinião do outro!”

           
            Aos meus pais só posso deixar um enorme agradecimento, por me lembrar da preciosidade que é ter uma família, da força que essa família tem junta e por me proporcionar um fim de semana inesquecível.  Espero comemorar muitas outras datas como essa ... e que em todas elas a força de nossa família se faça presente.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

REVOLTADO COM O EXEMPLO

           Hoje eu presenciei uma cena um tanto absurda e com essa cena surgiu a idéia desse texto.  Estava me dirigindo ao trabalho e, como sempre, vou de táxi. Enquanto aguardávamos o sinal abrir para seguir o caminho, no carro ao lado uma mãe com o carro cheio de crianças abria o vidro elétrico de seu carro importado e pela pequena abertura jogava no chão da rua uma série de papéis de bala. Depois subia novamente o vidro e ia embora, enquanto eu continuava paralisado não acreditando que isto ainda possa acontecer em classes sociais tão abastadas. Percebam a gravidade do exemplo que essa mãe dava às crianças dentro do carro!
Escuto em programas e debates por todo o mundo, a preocupação com o mundo que deixaremos para nossos filhos.  Como eles irão viver sem água, sem plantas, com o mar poluído? Embora eu me preocupe demais com todos esses fatores, afinal sou biólogo e amo tudo o que há vida, algo hoje me preocupa muito mais. Qual a formação dessa geração que estamos deixando para nosso planeta? Qual o tipo de moral, ética, respeito, civilidade ... ou ainda mais forte, EDUCAÇÃO, essa geração irá apresentar? Quais são os exemplos que eles irão seguir?
Bom, como esse blog é para queimar tudo ... e deixar a mente soltar os sapos que engolimos. Aí vai minha opinião. O QUE FALTA NO MUNDO SÃO MÃES E PAIS COMO OS MEUS ... e provavelmente como os de muitos de vocês também. Não estou aqui para puxar o saco da minha mãe e do meu pai, mas eu tenho certeza que muitos que estão lendo esse texto, vão se lembrar de alguns fatos que não vemos mais nos dias de hoje, e que queiram ou não acreditar nisso, foram exemplos que formaram nosso caráter.
Quem aqui não apanhou da mãe quando ousou levantar a voz para ela? Isso mesmo ... muitas vezes eu mereci apanhar pela forma como tratei meus pais. Hoje assisto perplexo a crianças que berram, gritam e xingam seus pais com a maior tranqüilidade ... e o que recebem é o carinho e a atenção de pais que desesperados pedem desculpas. Quantos de nós não nos desesperamos ao perceber a possibilidade de uma nota baixa em nosso boletim? Hoje crianças que tiram notas baixas são tratadas por psicólogos e os pais justificam as notas de todas as formas possíveis. A culpa é da escola que não dá a devida atenção, do professor que não sabe explicar a matéria, deles mesmos que estão trabalhando muito e não podem dar atenção aos filhos e assim orientá-los, dos amigos que são más influências ... mas nunca as notas são de responsabilidade do aluno que não estudou e por isso não fez uma boa prova. Quantas vezes não apanhamos por desrespeitar os mais velhos? Nossos avôs, tios, tias, professores, eram pessoas que deveríamos tratar com respeito, educação. O exemplo era dado por nossos pais, que tratavam essas pessoas com a mesma educação e respeito que deveríamos ter. A juventude de hoje enxerga os idosos como problemas que devem ser eliminados. Como a velocidade de acompanhamento dos mais velhos não é tão eficaz como a deles, os idosos passaram a ser vistos como uma doença, uma praga mundial. Não conseguem enxergar que esses idosos são portadores de lições que teremos que aprender, que são esses idosos que por muitas vezes foram exemplos em suas vidas, que são esses idosos que construíram o mundo que vivemos hoje, com toda a tecnologia e conhecimento que dispomos no mundo. Esquece-se também que a velhice é uma certeza e que mesmo com todo o avanço na medicina e na genética, nós iremos envelhecer e assim como tratamos nossos antepassados, seremos tratados por nossos sucessores.
Quando escuto pais debatendo entre eles sobre as condições climáticas de nosso planeta, sobre o calor e o frio que antigamente faziam e que hoje não faz mais, sobre a qualidade da água, sobre a cor do céu, eu sempre me pergunto: “Será que essas pessoas dão exemplos para seus filhos?”.  Pensar em problemas grandes nos afasta da possibilidade de solução ... afinal quem somos nós para deter a poluição de todos os carros e fábricas ... quem somos nós para deter o aquecimento global ... quem somos nós para resolver o problema da  fome e da miséria mundial ... quem somos nós para resolver o problema da educação no nosso país. POIS BEM ... VOU DAR UMA DICA ... NÓS SOMOS OS RESPONSÁVEIS!!
                Para aqueles que não entenderam onde se encaixam na solução dos problemas acima citados e ainda não conseguem perceber as solução dos problemas ... vou dar algumas sugestões. COMECEM A EDUCAR AQUELES QUE ESTÃO DO SEU LADO !! Se podemos em nossas casas separar o lixo e não jogar lixo na rua, estamos conscientizando aqueles que estão ao nosso lado e assim dando exemplo. Se usarmos o transporte público ou dermos carona às pessoas que moram perto de nós, evitamos que um maior número de veículos saiam de casa e assim diminuímos a poluição. Quando usamos com sabedoria a comida que fazemos, evitando o desperdício, contribuímos para minimizar a fome no planeta. Eu tenho certeza que todos já sabem dessas coisas que falei. O que falta ao entendimento global é que fazer sua parte não te exime da responsabilidade pela ação dos outros. Quando diminuímos o tamanho do problema poderemos perceber que a solução está próxima e é bem eficaz. Não pense na poluição global, pense na poluição do seu carro ... do carro dos seus amigos. Não pense no problema da sede no mundo ... pense em diminuir o gasto com a água e assim diminua o tempo do banho e , se possível, aproveite para urinar durante o banho, assim você ainda estará economizando uma descarga. Não pense em mudar a mente dos jovens e a forma como eles tratam os mais velhos, mostre a eles admiração que tem por seus pais, mostre a sabedoria que eles possuem e pensem que seus filhos irão tratar você da mesma maneira que tratam os avós.
                Se lembram quando eram crianças? Nós queríamos ser jogadores de futebol, bombeiros, policiais, pilotos e as mulheres, bailarinas, veterinárias, atletas ... tínhamos tantos sonhos loucos. Hoje velhos e a maioria de nós formados, percebemos que poucos foram aqueles que conseguiram realizar seus sonhos. Se nós não conseguimos motivação suficiente para realizar um sonho que é nosso e que tínhamos tempo suficiente, como pretendemos realizar um sonho que deve ser compartilhado por muitos e que será alcançado por outra geração? E por isso que acredito enormemente no poder do exemplo ... e para todos aqueles que debocham ou riem quando pego algum papel no chão sujo ... segue a mensagem: “EU ESTOU FAZENDO A MINHA PARTE ... E VOCÊ ?? ESTÁ FAZENDO A SUA?”.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

REVOLTA DAS ELEIÇÕES

            Hoje eu acordei irado. Não posso deixar de escrever e assim exprimir o quão revoltado eu estou com os fatos decorridos nessas eleições.
            Se acalmem, não quero discutir aqui apoio ou oposição ao governo, e acredito nem ter suficiente conhecimento para debater assunto que retrata anos e anos de história política. O objetivo desse texto é muito mais sério e também muito mais simples ... expor minha indignação quanto à vergonhosa situação em que a política brasileira e a população se encontra no que diz respeito a política.
            Chegamos ao fundo do poço e roubando a equívoca frase de Galvão Bueno: “Estamos no limite extremo” de nossa ignorância política. Se quiserem a comprovação do que falo, basta olhar a lista dos deputados que se elegeram. Nem as mulheres que sempre foram, para mim, símbolos de responsabilidade política quando decidem entrar nessa empreitada, são hoje, exemplos. Madame Bovary ficaria internada ao ver quais são as mulheres que visam hoje representar a sua classe, ainda bem que a Mulher pêra não se elegeu.
            Mas o que há de se falar de um candidato que recebeu sozinho mais de 1,3 milhões de votos, sendo que sua propaganda política se baseava no simples fato de que ele não fazia a menor idéia das responsabilidades do cargo que se propunha ocupar? E a loucura não para, pois esse mesmo candidato se predispõe a esclarecer, assim que for eleito, quais são suas funções e mostrar para a população o que faz um deputado federal. O mais interessante desse fato é o próprio slogan, que afirmava convictamente que a situação do Brasil não poderia piorar, sendo ele eleito ou não.
            Convenhamos Brasil, quando votamos numa pessoa como essa, estamos decretando que num estado como o de São Paulo, onde esse candidato foi eleito, que ao menos 1,3 milhões de pessoas não fazem a menor idéia quais são as responsabilidades de um deputado federal. E nem ousem me falar que foi um voto de protesto. Protesto de quê? Para quem? Se vamos protestar temos que ter um objetivo e não vejo objetivo algum em votar num absurdo desse. Ao contrário, vejo mais uma vez um retrato da falta de cultura e civilidade em que nosso país se encontra. Para aqueles que mantêm a opinião do voto de protesto, ressalto que sentar no carrinho do papai para discutir entre amigos o futuro do nosso país enquanto fumam maconha e divagam sobre os mais variados assuntos, não é protesto, é imparcialidade, falta de leitura e uma tremenda falta de civilidade. Fica fácil discutir qualquer coisa quando não se tem obrigação sobre nada e também não haverá de mudar nada em sua vida. O problema desses jovens e adultos é que o voto para eles já não representam diferenças e, portanto pouco irá interferir em suas vidas.
            Nossa população acostumou-se a ser comprada nas eleições. São carros adesivados em troca de tanques de gasolina, são sacos de cimento ou cestas básicas para cada voto na família, são 50 reais para cada pessoa que desfilar com uma bandeira do candidato nas ruas, são 200 reais por semana para cada um que andar pela cidade com seu carro de som fazendo campanha... e assim vamos, aceitando o absurdo do voto de cabresto que historicamente  existe no Brasil desde a primeira eleição. Por tudo isso, declaro aqui, que terá meu voto quem ousar em sua campanha decretar que fará de tudo para que o voto não seja obrigatório no Brasil. Sem a obrigatoriedade a compra não seria tão eficaz, os eleitores só iriam votar quando interessados e os políticos teriam que fazer muito mais do que sujar a cidade e poluir nossos ouvidos para angariar votos daqueles que decidirem ir às urnas.
            Refletindo sobre o que o tão famoso humorista e candidato eleito diz em seu slogan, percebo que o Brasil realmente não pode ficar pior, não depois de tê-lo eleito com tanta força.
            A boa notícia é que nós brasileiros, ao contrário do que diz o refrão: “Sou brasileiro e não desisto nunca!”, temos memória curta e acabamos nos esquecendo dos fatos, dos votos e dos políticos, e em pouco tempo nossas vidinhas continuarão como sempre e vamos desistir mais uma vez de lutar por melhores representantes para nosso povo.