segunda-feira, 2 de setembro de 2013

PAI TEM QUE PARTICIPAR



Minha esposa e eu conversamos sobre as possibilidades para a pintura do quarto do nosso filho. Entre todas as possibilidades a que mais no agradou foi a proposta com o tema do pequeno príncipe. É uma história linda, com fortes ensinamentos e com desenhos únicos.      
        
Pensando no tema comecei a elaborar alguns esboços em softwares de decoração 3D. Fiz réplicas do quarto e fui averiguando as inúmeras possibilidades. Mostrei as ideias para minha esposa e ela foi me apoiando em cada decisão. 

Num fim de semana eu tirei tudo o que estava no quarto e fui fazer os primeiros desenhos na parede. Marquei o planetinha e cortei as estrelas. Prendi tudo na parede com fita adesiva e tirei uma foto.


Com essa foto eu entrei nos sites de tintas. Claro que não é minha ideia fazer propaganda, mas tenho que admitir que o site da Coral tintas me impressionou. Lá eu pude simular, com a foto que tirei, todas as possibilidades de cores do quarto. A cada cor escolhida eu registrava seu nome e seu código. Depois bastou ir na loja e pedir as tintas escolhidas. O vendedor as bateu na máquina e os tons eram exatamente como eu esperava que fossem.

Convoquei então o meu irmão para me auxiliar no processo de pintura do quarto. Muito animado ele passou o fim de semana me ajudando na pintura. Começamos usando a fita para proteger as demais paredes do quarto, o teto e o rodapé. Passamos então a primeira mão de azul Turquia. Pintando por cima de todas as estrelas, para que a textura do azul ficasse uniforme. Em seguida pintamos o planetinha na cor Cogumelo.  O resultado dessa primeira mão está na foto abaixo ... de costas é o meu irmão Danilo !!


Depois demos a segunda mão, esperamos secar e retiramos os adesivos das estrelas. Deixando a marcação pronta para pintá-las de amarelo por dentro. Fizemos o mesmo com o planetinha e assim o quarto tomava forma.


A fase seguinte foi a mais tensa. Pintamos todas as estrelas com um pincel fino na cor amarelo Real e tomando cuidado para não ultrapassar os limites da figura. Fizemos o mesmo com o planetinha e ainda marcamos suas bordas com a cor Madeira. O resultado já estava melhor do que poderíamos imaginar.


No fim, enquanto eu contornava as estrelas com uma sutil linha preta, o meu irmão usava esponja vegetal para criar a textura do planeta, usando o mesmo marrom Madeira das bordas. A facilidade que encontramos em trabalhar com as tintas de base água foi impressionante. Diversas vezes demos retoques e em momento algum o tom ficava diferente depois de seco. 


Agora só faltam os móveis, as luminárias e os objetos de decoração. Vou postar tudo com calma aqui. Se alguém tiver qualquer dúvida sobre como tudo foi feito, estou a disposição para esclarecer. Aproveito para agradecer o maninho Danilo e sua esposa Alessandra, que passaram o fim de semana me ajudando.  







quarta-feira, 28 de agosto de 2013

QUANDO A FICHA CAI



O processo da paternidade é algo muito louco para o homem.  A mulher se torna mãe a partir do momento que se descobre grávida. Ali ela já é mãe!! O homem não consegue enxergar sua paternidade assim que sua mulher está grávida. A ficha vai caindo aos poucos. E o que vou contar é como esse processo ocorreu comigo.
Minha esposa e eu havíamos decidido no final do ano passado que ela iria parar de tomar os remédios para tentar engravidar. Fomos à medica dela ... fizemos alguns exames e a médica avisou que como ela tomou anticoncepcionais por muito tempo, o organismo dela só iria voltar ao normal depois de 3 meses e que provavelmente só conseguiríamos engravidar depois disso. Ainda segundo a médica, o normal seria engravidar depois de 6 meses sem tomar os remédios. Concordamos com o fato e ajustamos nosso planejamento para o primeiro filho. Acontece que minha esposa parou de tomar o remédio em Janeiro e em Fevereiro estava grávida. Por pouquinho essa criança não foi feita na Argentina ... no carnaval !!
O susto foi grande ... mas a felicidade é imensurável. Ficamos pulando em casa, com o teste de gravidez na mão e rindo da nossa alegria. Automaticamente minha esposa ganhou um brilho no olhar que jamais poderei explicar. Ela virou mãe e eu ainda tentava entender o que estava ocorrendo.
As semanas foram seguindo. Minha esposa teve os primeiros enjoos e fizemos juntos os primeiros exames. Ouvir e ver as batidas daquele minúsculo coração é sensacional. Emoção única!! Mas ainda assim eu não me sentia totalmente pai. Sei lá .... a barriga crescia nela ... e nada mudava em mim.
Então eu estava no quarto ... deitado ao lado da minha esposa na cama. Ela já sentia ela se mexer de levinho, mas eu nunca havia sentido nada. Coloquei minha mão ali e relaxei. Então a ficha caiu como um tapinha que damos numa máquina de fliperama para a ficha descer. Só que o tapinha foi dele. Um leve pontapé, que me fez entender que ali dentro estava meu filho. Dormi com o sorriso aberto e sonhei com a ternura de ser pai.
Entrei para outro exame com minha esposa. Agora a ansiedade era em busca do sexo do bebê. Se fosse mulher seria MAYA, mas homem ainda tínhamos muitas dúvidas, talvez Yuri, talvez Lucas. Na imagem surge a certeza ... era homem. Risos de alegria !! Não importava o sexo, mas saber qual é era ótimo, poderíamos focar as roupas e os enfeites. Escolhemos o seu nome e o que antes era um bebê ... virou o LUCAS!
O tempo passou correndo e minha esposa já está com 7 meses de gravidez. Ela continua linda ... e mal conseguimos saber se está grávida quando a olhamos por trás. Estamos nos divertindo em cada momento da gestação e hoje meu único desejo é ser o melhor pai que o Lucas pode ter.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

UMA GRANDE SURPRESA

Sei que estou afastado desse projeto que há muito tempo me faz tão bem. Não estou escrevendo ... não estou divagando ... e não estou participando. Claro que tem um motivo para isso tudo ... e esse motivo irá transformar muito esse blog. EU VOU SER PAI !! Desde fevereiro desse ano que minha mulher está grávida e o Lucas está previsto nascer em novembro.

Com a paternidade meus pontos de vista mudaram. Eu me apaixonei por uma criança que ainda nem pude ver o rosto. Me tornei um protetor. Agora tudo está focado para que o Lucas possa nascer num ambiente gostoso e com amor.

Minha esposa está cada dia mais linda com a gravidez. Ganhou poucos quilos (4,5 até agora) e tem sido uma mãezona. Fico encantado a cada dia que passa com a certeza que não poderia ter escolhido mãe melhor para meus filhos. Espero ser pai no mesmo nível !!

No momento estou mergulhado no projeto quarto do bebê. Esse fim de semana irei pintá-lo. Não quis contratar um pintor pq quero participar desse projeto ... quero me atrever em coisas novas. Vou tirar fotos e postar aqui caso tudo dê certo !!

Agradeço demais a atenção de todos os que me acompanham ... em especial aqueles que tem um carinho por mim e que torcem para meu sucesso.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

RISCO EM SANTA MARIA



Já que o assunto do momento é a tragédia em Santa Maria-RS, quero aproveitar para tratar também desse assunto. Não vou entrar no mérito do sofrimento dos familiares, no heroísmo de alguns poucos que voltaram para ajudar os que não conseguiam sair do local ou ainda da dor daqueles que faleceram naquela boate, desesperados para encontrar a saída. A cena aperta meu coração e minha mente fica turva ... não sei lidar com essas emoções !!

O que quero discutir é a culpabilidade da ação. Não sou advogado, menos ainda jurista, portanto, não irei discutir normas ou legislações. Sou um consultor de projetos que se aprofundou um pouquinho em riscos. Conheço um pouco das premissas de segurança e da forma que devemos tratar o risco.


É fato que nossa cultura não se prepara para a segurança. Esta é negligenciada sem qualquer pudor. Aprendemos a burlar a lei seca e dirigimos alcoolizados, dirigimos falando ao celular, atravessamos as ruas fora das faixas, etc. Crescemos numa cultura na qual o risco é pouco observado e medido e, então, não temos a real percepção da sua probabilidade de se transformar em um problema.


Porém, quero ressaltar que no quesito risco, não há sequer uma ação que seja capaz de acabar com a probabilidade de um risco ocorrer. Podemos mitigar o risco de inúmeras formas, ou até transferi-lo (contratando seguros por exemplo), no entanto, a possibilidade de ocorrência desse risco nunca é zerada. 
 
Um amigo do trabalho iluminou minha mente com um perfeito exemplo que irei repassá-lo a vocês. Imaginem que estão dirigindo o seu carro numa via expressa. Então, um tijolo é lançado no seu carro, direto no seu para-brisa. Poderia ter acontecido o pior, mas felizmente isso não ocorreu e você não se machucou, apesar do susto. Vamos refletir sobre algumas questões. É sensato acusar o fabricante do automóvel? Ou o DETRAN, que é responsável pela vistoria e autorizou o carro a circular? As normas de fabricação de para-brisas? Os parâmetros de resistência especificados? Não sei se concordam, mas, para mim, o único responsável pelo ato é a pessoa que lançou o tijolo.


Se levarmos em consideração alguns fatores, veremos que fizemos de tudo para mitigar o risco. Temos um para-brisas para evitar o choque direto conosco. Estávamos no limite de velocidade permitido da via. O carro tinha sido vistoriado de acordo com as exigências internacionais. Você tinha seguro total contra acidentes e, mesmo assim, apesar de todo o esforço, o acidente ocorreu. O que houve de errado nas previsões? O fator que deve ser levado em conta é estatístico e simples. A probabilidade de sermos atingidos por um tijolo é mínima, dessa forma não nos preparamos para o evento. Carros são construídos e pensados para acidentes rodoviários, atropelamentos e freadas bruscas.



Seguindo com o raciocínio do meu amigo, se levarmos em consideração o terrível acidente em Santa Maria, podemos perceber que numa análise estatística de riscos na boate Kiss, a probabilidade de alguém fazer um show pirotécnico dentro do recinto fechado, onde fumar não é permitido, é muito próxima de zero. Portanto, não havia um tratamento para o risco em questão.

Claro que há culpados e eles são tão responsáveis quanto a pessoa que lançou um tijolo em seu para-brisa. Devem ser julgados pela ignorância do ato, pela estupidez de saber que haveria um show pirotécnico e por permitirem que este fosse executado. Os administradores do local são cúmplices de uma banda que não mediu seus atos e não atentou para o absurdo que estavam fazendo.

Infelizmente, a imprevisibilidade da ação deflagrada pela banda, com consentimento da administração local, matou 234 pessoas e temos ainda um enorme número de feridos que estão sofrendo no hospital. Portanto, como inúmeros brasileiros, eu rezo pelas famílias envolvidas e torço para que o tempo cure as feridas da alma de cada uma dessas pessoas.  Mas sejamos justos ... e vamos criticar aqueles que realmente merecem.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

OS BABACAS DA VIDA




Em nossas vidas encontramos diversos tipos de pessoas. Aprendemos com o tempo a lidar com cada uma delas, porém, existe um tipo que não importa o tempo, ou nossa paciência ... O BABACA sempre nos tira do sério !!


Claro que os babacas não são iguais. Existem diversos tipos espalhados por aí. Então, numa tentativa de facilitar a vida dos que me leem, irei expor algumas dicas sobre os principais tipos de babacas com os quais convivo.

O primeiro tipo de babaca é o que chamo de MALA MOR. Sua principal característica é a arrogância aliada ao seu lado divino, pois segundo eles nem Deus sabe tanto quanto eles sobre determinados assuntos. Esses seres não são capazes de conjugar qualquer verbo no plural ou na segunda ou terceira pessoa do singular. Qualquer coisa que façam são os melhores, e há quem duvide, mas nesse momento inúmeros exemplos são listados para comprovar toda sua capacidade e seu intelecto. Em qualquer roda de amigos, discussão ou reunião eles precisam se destacar e colocar o ego em evidência. Para se manter no centro de qualquer assunto, esse tipo de babaca brinca e critica os demais, ridicularizando qualquer um que ouse se destacar um milímetro a mais do que ele. Jamais entram em assuntos que não são da sua zona de conforto, puxando qualquer tema que seja de seu conhecimento ou de suas experiências vividas. São pessoas solitárias e carentes, e uma excelente forma de trabalhar com elas é inflar o seu ego, dizendo o quão grandiosos são, pedindo ,assim, uma ajuda que somente eles poderiam dar. Evite jogos ou brincadeiras em grupo com esse tipo de personalidade, pois seu cérebro não é capaz de assimilar divisão de tarefas e de conquistas. Tentarão, portanto, mandar e atribuir todo o resultado para sua capacidade de administração.


 O segundo tipo é o SEM NOÇÃO. A principal característica desse indivíduo é a absoluta falta de bom senso em tudo o que faz. Esse ser se esqueceu de crescer e perdeu completamente a vergonha na cara, mantendo as mesmas brincadeiras de sua fase infantil e adolescente em seu cardápio de bobeiras. Está sempre em grupo e, na maioria das vezes, é do sexo masculino. Tem o dom de tirar do sério até o mais doce e puro monge tibetano. Na escola, eram identificados pelas ideias de colocar tachinhas em cadeiras, destruir armários, jogar aviãozinho durante a aula etc. No trabalho comentam o que não deve, brincam com o material alheio, deixam recadinhos e têm sempre piadinhas sobre tudo e todos, não importando sequer o nível hierárquico da empresa ou equipe. São ótimos para eventos de confraternização, pois viram palhaços. O ideal é rir de suas gracinhas e jamais criticá-los, evitando virar alvo dessa espécie.


 O terceiro e cruel tipo é o AUTOFALANTE. Também identificado como fofoqueiro, esse indivíduo detém uma capacidade enorme de gravar tudo o que não lhe diz respeito. É um grande apreciador da vida alheia e usa sua rede de contatos para adquirir e propagar qualquer tipo de informação. Venera e torce para fazer parte de programas do tipo reality como BBB e A Fazenda. Incapazes de pensar o melhor a respeito do outro essa criatura tem o dom de criar a dúvida até nos mais devotos fiéis. Quando em grupo, são facilmente identificados pelo zeloso tom de voz e pelos olhares fulminantes lançados para qualquer um que ouse cruzar o caminho. Normalmente do sexo feminino esse tipo de babaca é muito encontrado em qualquer ambiente. A melhor forma de lidar com ele é evitar falar qualquer coisa pessoal,  ou tecer qualquer comentário sobre outra pessoa. Na verdade, é melhor não falar nada, concordando apenas com um aceno de cabeça. No período do BBB (como agora), a melhor coisa a fazer é manter distância ou sumir. 


 O quarto tipo é o VALENTÃO. Esse é o mais fácil de identificar. É do sexo masculino, corpulento e grandalhão, porém, tem o cérebro que deve ter no máximo o tamanho de uma uva passa. Para ele, o mundo se resolve na porrada e sua única fonte de interesse é a malhação. Essa espécie só anda em bando e talvez por isso esteja se multiplicando com uma evidente aceleração. Quando trabalha em grupo, não aceita discutir qualquer forma de executar uma tarefa, exigindo, assim, que tudo seja feito à sua maneira. Esse processo ocorre devido ao encolhimento do cérebro ao longo dos anos, o que o impede de aprender novas atividades. Sua reprodução é feita por meio da cópula com o seu semelhante do sexo feminino. Essas fêmeas também são destituídas de cérebro e todo o seu desenvolvimento social é em uma academia de ginástica. Gostosas e saradas, essas mulheres são, em sua essência, a descrição das AUTOFALANTES citadas acima. No convívio, é melhor não contradizer essa pessoa e, caso seja necessário conversar, use termos inteligentes e cite exemplos de autores,  pois o sistema operacional do valentão trava e ele terá que reiniciar a operação, dando-lhe tempo para sair de perto.


Se vocês conhecem algum outro tipo, descrevam nos comentários e vamos perceber juntos como nossas vidas andam rodeadas de babacas.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

AS DELÍCIAS DO FIM DE ANO MINEIRO


Chegou o fim do ano e com eles as apetitosas festas em família. Momentos únicos de celebração e convívio. Por ser mineiro acredito ser ainda mais privilegiado nessas ocasiões, afinal qualquer evento numa boa família mineira é motivo para confraternizar na cozinha. Festas de fim de ano são os maiores exemplos. Mas sejamos honestos, o que seria de toda essa comida se não fosse a família e a convivência? 

Meu pai é sempre o responsável por elaborar um dos principais pratos das festividades. Como todo bom mineirinho as escolhas culinárias são sempre lights!! Uma feijoada aqui, uma leitoa ali, um pernilzinho acolá, tudo acompanhado dos preciosos petiscos: linguicinha, chouriço, torresmo, mandioquinha frita, polenta frita, bolinho de arroz e pastéis. Como podem verificar nada que sobrecarregue muito o fígado ou o pâncreas, somente alimentos de fácil digestão. Alias a digestão é tão fácil que o corpo fica com preguiça. Basta acabar o almoço e todo mundo procura um cantinho sossegado para tirar um cochilo.

Mineiro bom bebe pinga. Não gostamos dessas bebidinhas importadas. Nosso trem (trem é qualquer coisa para o mineiro, serve para tudo!) é com a tradicional pinga ... que em outros estados ganhou o nome grande de cachaça. Mas não venham com pingas industrializadas, gostamos mesmo das artesanais, tiradas dos destiladores antigos de cobre, onde o gotejar contínuo dá vazão ao líquido que será envelhecido em tonéis de madeira boa como o carvalho. Nossas deliciosas pingas !! Como esse trem é forte, tomamos junto uma cerveja ou outra para ajudar a matar a sede. Gostamos tanto das pingas que quase todos os pratos citados no parágrafo anterior levam a danada na sua confecção. Pururucamos a pele da leitoa com pinga ... temperamos a feijoada com um cadim (para quem não conhece as medidas mineiras, cadim é menos que um pouquim e mais que um cadiquim uai!!), uma dose no pernil para entranhar na carne e por aí vai.


Evento assim tem que ter nossos doces e se tem uma coisa gostosa em minha terra são os doces caseiros. Cada família desenvolve uma especialidade e nada dessas sobremesas regadas a coisas artificiais. Faça qualquer trem e coloque creme de leite, você irá perceber que o prato melhora bem. Cozinha mineira não leva esse trem não. Lá tem muito ovo, muito leite e muito açúcar. É quindão, rabanada, ambrosia caramelada, doce de leite, de mamão, de figo, de abacaxi, de goiaba de banana e claro, aquele queijinho minas para acompanhar. 


Entre a refeição e a sobremesa há o convívio com a família. Aquele povo todo sentado ao redor da mesa grande de madeira. Aquele mundo de braços passando por cima das comidas, aquele falatório danado e normalmente os avós sentados na cabeceira apreciando toda a confusão. É nesse momento que ouvimos as célebres frases repetidas todos os anos. Aquela tia gorda que olha para o sobrinho, aperta as bochechas do coitado e delicadamente diz: “Menino como ocê cresceu?!”. Ou ainda a tia encalhada que pergunta: “Já arrumou namorada?”. Tem também as tias que já viraram avós e perguntam aos recém casados: “E aí, quando é que vão ter filhos? O Fulano já fez o dele, ceis tão ficando pra trás. Os primos tem que crescer juntos!”. Mas se você é um estudante de vestibular, menino se prepare, é um tal de: “Se vai fazer medicina estuda muito mesmo que quero fazer plástica de graça.” Ou “Escolhe direitinho o que você vai fazer senão pode acontecer como o ciclano que tá desempregado.” Ou pior ainda: “Ihhh menino, não esquenta se tomar pau não, é normal, uma hora ocê passa.”


Passado o momento gula temos o momento Amigo Oculto. Tradição nas casas para facilitar a distribuição de presentes e economizar o bolso dos pais. Aí tudo vira festa. Tem sempre um tio que já tomou um pouco mais de pinga e não consegue nem lembrar para quem vai dar o presente. Tem sempre um presente que ninguém quer. Tem sempre uma pessoa que não vai e atrapalha o processo. Tem sempre aquela marmelada (marmelada para quem não conhece o vocabulário mineiro é quando de alguma forma a regra é burlada em favor de outro.) e percebemos que algumas pessoas sempre saem com os mesmos nomes. Tem sempre aquele presente que recebemos e que não conseguimos trocar. Mas no fim todos sorrindo e satisfeitos com a bagunça.


Na minha família faltou a presença da vovó. A véia faz uma falta danada. Era ela que orquestrava toda essa confusão. Era ela que executava com maestria os melhores doces que eu já comi. Era ela que acordava rindo e dormia rindo por ter toda a família por perto. Era ela que reclamava da carne dura e comia de sobremesa um enorme quebra-queixo (esse doce é o pé de moleque feito com rapadura, difícil ter que explicar tudo prôceis.) e ria de sua travessura. Sim faltou a véia e faltou o vô, que já partiu faz mais de ano, mas a família continua lá, linda, forte e reunida para celebrar não a passagem de outro ano ou a importância do Natal, mas a união de uma família louca, linda, mineira e que tem um orgulho danado de grande de ser o que é !!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ENGARRAFADO COM PRAZER



Quem mora no Rio, São Paulo ou qualquer grande cidade brasileira já deve ter tido o enorme prazer de ficar engarrafado. É praticamente um hobbie que nós, pessoas modernas das capitais, adquirimos e viciamos. Para você que não sabe o prazer que esse momento pode gerar em sua vida, vou descrevê-lo na intenção de dividir toda a ternura desse momento.

É sexta-feira e você resolve sair com sua esposa para visitar a sua família ou a dela localizados em outra cidade. Volta do trabalho um pouco mais cedo de metrô e, depois de colocar todas as inúmeras malas dela no carro, conforme o texto que eu mesmo publiquei aqui, você se prepara para partir rumo à estrada. Nesse instante, começa a atuar a divina coincidência. A sensação que tenho no momento em que deixo minha garagem é a de que todas as famílias da cidade resolveram fazer o mesmo que eu e na mesma hora. Dessa forma, terei o enorme prazer da companhia praticamente por toda a viagem.


Basta sair de casa que minha sensação de previsibilidade se torna real. Todos os carros estão nas ruas. Eu abro um delicioso sorriso, olho com ternura para minha esposa e com os olhos cheios de lágrimas emocionadas eu a digo: “Amor ... nada poderia ser mais prazeroso do que passar horas trancado neste carro com você, com direito a um clima sensacional e motoristas educados me propiciando toda a atenção e o carinho de que preciso para chegar tranquilo em nosso destino.”

A harmonia desse momento começa com a educação e a paciência de todos os motoristas ao meu redor. Sempre cavalheiros (ou seriam cavaleiros?), cedem espaço, dão passagem, usam adequadamente a seta do carro e só fazem uso da buzina quando extremamente necessário. As motos seguem em filas indianas, cuidadosas e em velocidades baixas, respeitando o fluxo dos carros e o silêncio que eles promovem. Há nesse meio aquele que se destaca por toda sua doçura e sua meiguice: os motoristas de ônibus. Treinados nas escolas inglesas de boas maneiras, esses gentis senhores são praticamente Ladies no trânsito. Atentos aos outros e com extrema sutileza esses profissionais e seus sorrisos melhoram o humor de qualquer pessoa que se envolva em um engarrafamento. Capazes de ouvir um espirro a quilômetros só para dizer “saúde”, não há profissional mais capacitado do que o motorista de  ônibus no Rio de Janeiro. Melhor do que encontrá-los no trânsito é ter o prazer do convívio deles durante sua viagem, por isso as passagens são tão disputadas. 

Outro bônus dos engarrafamentos é a oportunidade de apreciar as delícias da culinária brasileira. Enquanto aguardamos calmamente o deslocamento dos veículos à frente, temos o prazer de degustar deliciosos quitutes vendidos no conforto da janela de seu automóvel. Crianças e adolescentes bem vestidos e educados nos oferecem guloseimas típicas de cada região por onde passamos e para beber água mineral Perrier estupidamente gelada. 

Claro que existem problemas no engarrafamento, mas nem de longe eles chegam a incomodar. Quando um carro, por algum infortúnio, é obrigado a parar, todos os demais veículos se mobilizam para que ele possa se deslocar-se para o acostamento que se encontra sempre livre e, assim, aguardar poucos minutos até que um atencioso reboque venha socorrer-lhe.  Raríssimas são as vezes em que um acidente ocorre, normalmente provocado por um motorista um pouco descuidado devido às distrações que todo esse espetáculo promove. Quando  isso acontece, arranca risos de toda a plateia. Em pouco tempo tudo se resolve, os carros voltam para seus lugares, o motorista descuidado pede desculpas a todos os envolvidos, recebe os aplausos e volta para o interior aconchegante de seu carro.

No fim de todo esse percurso, as famílias se divertiram, os motoristas relaxaram e o tempo gasto na viagem passa tão rápido que nem percebemos; torcemos para que na volta tudo se repita. Portanto se você ainda não pegou um engarrafamento, está na hora de desfrutar esse momento.