quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

OS BABACAS DA VIDA




Em nossas vidas encontramos diversos tipos de pessoas. Aprendemos com o tempo a lidar com cada uma delas, porém, existe um tipo que não importa o tempo, ou nossa paciência ... O BABACA sempre nos tira do sério !!


Claro que os babacas não são iguais. Existem diversos tipos espalhados por aí. Então, numa tentativa de facilitar a vida dos que me leem, irei expor algumas dicas sobre os principais tipos de babacas com os quais convivo.

O primeiro tipo de babaca é o que chamo de MALA MOR. Sua principal característica é a arrogância aliada ao seu lado divino, pois segundo eles nem Deus sabe tanto quanto eles sobre determinados assuntos. Esses seres não são capazes de conjugar qualquer verbo no plural ou na segunda ou terceira pessoa do singular. Qualquer coisa que façam são os melhores, e há quem duvide, mas nesse momento inúmeros exemplos são listados para comprovar toda sua capacidade e seu intelecto. Em qualquer roda de amigos, discussão ou reunião eles precisam se destacar e colocar o ego em evidência. Para se manter no centro de qualquer assunto, esse tipo de babaca brinca e critica os demais, ridicularizando qualquer um que ouse se destacar um milímetro a mais do que ele. Jamais entram em assuntos que não são da sua zona de conforto, puxando qualquer tema que seja de seu conhecimento ou de suas experiências vividas. São pessoas solitárias e carentes, e uma excelente forma de trabalhar com elas é inflar o seu ego, dizendo o quão grandiosos são, pedindo ,assim, uma ajuda que somente eles poderiam dar. Evite jogos ou brincadeiras em grupo com esse tipo de personalidade, pois seu cérebro não é capaz de assimilar divisão de tarefas e de conquistas. Tentarão, portanto, mandar e atribuir todo o resultado para sua capacidade de administração.


 O segundo tipo é o SEM NOÇÃO. A principal característica desse indivíduo é a absoluta falta de bom senso em tudo o que faz. Esse ser se esqueceu de crescer e perdeu completamente a vergonha na cara, mantendo as mesmas brincadeiras de sua fase infantil e adolescente em seu cardápio de bobeiras. Está sempre em grupo e, na maioria das vezes, é do sexo masculino. Tem o dom de tirar do sério até o mais doce e puro monge tibetano. Na escola, eram identificados pelas ideias de colocar tachinhas em cadeiras, destruir armários, jogar aviãozinho durante a aula etc. No trabalho comentam o que não deve, brincam com o material alheio, deixam recadinhos e têm sempre piadinhas sobre tudo e todos, não importando sequer o nível hierárquico da empresa ou equipe. São ótimos para eventos de confraternização, pois viram palhaços. O ideal é rir de suas gracinhas e jamais criticá-los, evitando virar alvo dessa espécie.


 O terceiro e cruel tipo é o AUTOFALANTE. Também identificado como fofoqueiro, esse indivíduo detém uma capacidade enorme de gravar tudo o que não lhe diz respeito. É um grande apreciador da vida alheia e usa sua rede de contatos para adquirir e propagar qualquer tipo de informação. Venera e torce para fazer parte de programas do tipo reality como BBB e A Fazenda. Incapazes de pensar o melhor a respeito do outro essa criatura tem o dom de criar a dúvida até nos mais devotos fiéis. Quando em grupo, são facilmente identificados pelo zeloso tom de voz e pelos olhares fulminantes lançados para qualquer um que ouse cruzar o caminho. Normalmente do sexo feminino esse tipo de babaca é muito encontrado em qualquer ambiente. A melhor forma de lidar com ele é evitar falar qualquer coisa pessoal,  ou tecer qualquer comentário sobre outra pessoa. Na verdade, é melhor não falar nada, concordando apenas com um aceno de cabeça. No período do BBB (como agora), a melhor coisa a fazer é manter distância ou sumir. 


 O quarto tipo é o VALENTÃO. Esse é o mais fácil de identificar. É do sexo masculino, corpulento e grandalhão, porém, tem o cérebro que deve ter no máximo o tamanho de uma uva passa. Para ele, o mundo se resolve na porrada e sua única fonte de interesse é a malhação. Essa espécie só anda em bando e talvez por isso esteja se multiplicando com uma evidente aceleração. Quando trabalha em grupo, não aceita discutir qualquer forma de executar uma tarefa, exigindo, assim, que tudo seja feito à sua maneira. Esse processo ocorre devido ao encolhimento do cérebro ao longo dos anos, o que o impede de aprender novas atividades. Sua reprodução é feita por meio da cópula com o seu semelhante do sexo feminino. Essas fêmeas também são destituídas de cérebro e todo o seu desenvolvimento social é em uma academia de ginástica. Gostosas e saradas, essas mulheres são, em sua essência, a descrição das AUTOFALANTES citadas acima. No convívio, é melhor não contradizer essa pessoa e, caso seja necessário conversar, use termos inteligentes e cite exemplos de autores,  pois o sistema operacional do valentão trava e ele terá que reiniciar a operação, dando-lhe tempo para sair de perto.


Se vocês conhecem algum outro tipo, descrevam nos comentários e vamos perceber juntos como nossas vidas andam rodeadas de babacas.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

AS DELÍCIAS DO FIM DE ANO MINEIRO


Chegou o fim do ano e com eles as apetitosas festas em família. Momentos únicos de celebração e convívio. Por ser mineiro acredito ser ainda mais privilegiado nessas ocasiões, afinal qualquer evento numa boa família mineira é motivo para confraternizar na cozinha. Festas de fim de ano são os maiores exemplos. Mas sejamos honestos, o que seria de toda essa comida se não fosse a família e a convivência? 

Meu pai é sempre o responsável por elaborar um dos principais pratos das festividades. Como todo bom mineirinho as escolhas culinárias são sempre lights!! Uma feijoada aqui, uma leitoa ali, um pernilzinho acolá, tudo acompanhado dos preciosos petiscos: linguicinha, chouriço, torresmo, mandioquinha frita, polenta frita, bolinho de arroz e pastéis. Como podem verificar nada que sobrecarregue muito o fígado ou o pâncreas, somente alimentos de fácil digestão. Alias a digestão é tão fácil que o corpo fica com preguiça. Basta acabar o almoço e todo mundo procura um cantinho sossegado para tirar um cochilo.

Mineiro bom bebe pinga. Não gostamos dessas bebidinhas importadas. Nosso trem (trem é qualquer coisa para o mineiro, serve para tudo!) é com a tradicional pinga ... que em outros estados ganhou o nome grande de cachaça. Mas não venham com pingas industrializadas, gostamos mesmo das artesanais, tiradas dos destiladores antigos de cobre, onde o gotejar contínuo dá vazão ao líquido que será envelhecido em tonéis de madeira boa como o carvalho. Nossas deliciosas pingas !! Como esse trem é forte, tomamos junto uma cerveja ou outra para ajudar a matar a sede. Gostamos tanto das pingas que quase todos os pratos citados no parágrafo anterior levam a danada na sua confecção. Pururucamos a pele da leitoa com pinga ... temperamos a feijoada com um cadim (para quem não conhece as medidas mineiras, cadim é menos que um pouquim e mais que um cadiquim uai!!), uma dose no pernil para entranhar na carne e por aí vai.


Evento assim tem que ter nossos doces e se tem uma coisa gostosa em minha terra são os doces caseiros. Cada família desenvolve uma especialidade e nada dessas sobremesas regadas a coisas artificiais. Faça qualquer trem e coloque creme de leite, você irá perceber que o prato melhora bem. Cozinha mineira não leva esse trem não. Lá tem muito ovo, muito leite e muito açúcar. É quindão, rabanada, ambrosia caramelada, doce de leite, de mamão, de figo, de abacaxi, de goiaba de banana e claro, aquele queijinho minas para acompanhar. 


Entre a refeição e a sobremesa há o convívio com a família. Aquele povo todo sentado ao redor da mesa grande de madeira. Aquele mundo de braços passando por cima das comidas, aquele falatório danado e normalmente os avós sentados na cabeceira apreciando toda a confusão. É nesse momento que ouvimos as célebres frases repetidas todos os anos. Aquela tia gorda que olha para o sobrinho, aperta as bochechas do coitado e delicadamente diz: “Menino como ocê cresceu?!”. Ou ainda a tia encalhada que pergunta: “Já arrumou namorada?”. Tem também as tias que já viraram avós e perguntam aos recém casados: “E aí, quando é que vão ter filhos? O Fulano já fez o dele, ceis tão ficando pra trás. Os primos tem que crescer juntos!”. Mas se você é um estudante de vestibular, menino se prepare, é um tal de: “Se vai fazer medicina estuda muito mesmo que quero fazer plástica de graça.” Ou “Escolhe direitinho o que você vai fazer senão pode acontecer como o ciclano que tá desempregado.” Ou pior ainda: “Ihhh menino, não esquenta se tomar pau não, é normal, uma hora ocê passa.”


Passado o momento gula temos o momento Amigo Oculto. Tradição nas casas para facilitar a distribuição de presentes e economizar o bolso dos pais. Aí tudo vira festa. Tem sempre um tio que já tomou um pouco mais de pinga e não consegue nem lembrar para quem vai dar o presente. Tem sempre um presente que ninguém quer. Tem sempre uma pessoa que não vai e atrapalha o processo. Tem sempre aquela marmelada (marmelada para quem não conhece o vocabulário mineiro é quando de alguma forma a regra é burlada em favor de outro.) e percebemos que algumas pessoas sempre saem com os mesmos nomes. Tem sempre aquele presente que recebemos e que não conseguimos trocar. Mas no fim todos sorrindo e satisfeitos com a bagunça.


Na minha família faltou a presença da vovó. A véia faz uma falta danada. Era ela que orquestrava toda essa confusão. Era ela que executava com maestria os melhores doces que eu já comi. Era ela que acordava rindo e dormia rindo por ter toda a família por perto. Era ela que reclamava da carne dura e comia de sobremesa um enorme quebra-queixo (esse doce é o pé de moleque feito com rapadura, difícil ter que explicar tudo prôceis.) e ria de sua travessura. Sim faltou a véia e faltou o vô, que já partiu faz mais de ano, mas a família continua lá, linda, forte e reunida para celebrar não a passagem de outro ano ou a importância do Natal, mas a união de uma família louca, linda, mineira e que tem um orgulho danado de grande de ser o que é !!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ENGARRAFADO COM PRAZER



Quem mora no Rio, São Paulo ou qualquer grande cidade brasileira já deve ter tido o enorme prazer de ficar engarrafado. É praticamente um hobbie que nós, pessoas modernas das capitais, adquirimos e viciamos. Para você que não sabe o prazer que esse momento pode gerar em sua vida, vou descrevê-lo na intenção de dividir toda a ternura desse momento.

É sexta-feira e você resolve sair com sua esposa para visitar a sua família ou a dela localizados em outra cidade. Volta do trabalho um pouco mais cedo de metrô e, depois de colocar todas as inúmeras malas dela no carro, conforme o texto que eu mesmo publiquei aqui, você se prepara para partir rumo à estrada. Nesse instante, começa a atuar a divina coincidência. A sensação que tenho no momento em que deixo minha garagem é a de que todas as famílias da cidade resolveram fazer o mesmo que eu e na mesma hora. Dessa forma, terei o enorme prazer da companhia praticamente por toda a viagem.


Basta sair de casa que minha sensação de previsibilidade se torna real. Todos os carros estão nas ruas. Eu abro um delicioso sorriso, olho com ternura para minha esposa e com os olhos cheios de lágrimas emocionadas eu a digo: “Amor ... nada poderia ser mais prazeroso do que passar horas trancado neste carro com você, com direito a um clima sensacional e motoristas educados me propiciando toda a atenção e o carinho de que preciso para chegar tranquilo em nosso destino.”

A harmonia desse momento começa com a educação e a paciência de todos os motoristas ao meu redor. Sempre cavalheiros (ou seriam cavaleiros?), cedem espaço, dão passagem, usam adequadamente a seta do carro e só fazem uso da buzina quando extremamente necessário. As motos seguem em filas indianas, cuidadosas e em velocidades baixas, respeitando o fluxo dos carros e o silêncio que eles promovem. Há nesse meio aquele que se destaca por toda sua doçura e sua meiguice: os motoristas de ônibus. Treinados nas escolas inglesas de boas maneiras, esses gentis senhores são praticamente Ladies no trânsito. Atentos aos outros e com extrema sutileza esses profissionais e seus sorrisos melhoram o humor de qualquer pessoa que se envolva em um engarrafamento. Capazes de ouvir um espirro a quilômetros só para dizer “saúde”, não há profissional mais capacitado do que o motorista de  ônibus no Rio de Janeiro. Melhor do que encontrá-los no trânsito é ter o prazer do convívio deles durante sua viagem, por isso as passagens são tão disputadas. 

Outro bônus dos engarrafamentos é a oportunidade de apreciar as delícias da culinária brasileira. Enquanto aguardamos calmamente o deslocamento dos veículos à frente, temos o prazer de degustar deliciosos quitutes vendidos no conforto da janela de seu automóvel. Crianças e adolescentes bem vestidos e educados nos oferecem guloseimas típicas de cada região por onde passamos e para beber água mineral Perrier estupidamente gelada. 

Claro que existem problemas no engarrafamento, mas nem de longe eles chegam a incomodar. Quando um carro, por algum infortúnio, é obrigado a parar, todos os demais veículos se mobilizam para que ele possa se deslocar-se para o acostamento que se encontra sempre livre e, assim, aguardar poucos minutos até que um atencioso reboque venha socorrer-lhe.  Raríssimas são as vezes em que um acidente ocorre, normalmente provocado por um motorista um pouco descuidado devido às distrações que todo esse espetáculo promove. Quando  isso acontece, arranca risos de toda a plateia. Em pouco tempo tudo se resolve, os carros voltam para seus lugares, o motorista descuidado pede desculpas a todos os envolvidos, recebe os aplausos e volta para o interior aconchegante de seu carro.

No fim de todo esse percurso, as famílias se divertiram, os motoristas relaxaram e o tempo gasto na viagem passa tão rápido que nem percebemos; torcemos para que na volta tudo se repita. Portanto se você ainda não pegou um engarrafamento, está na hora de desfrutar esse momento.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

QUASE UM CHEF !!


Só quem cozinha sabe o risco que corre ao executar qualquer prato. E quem não cozinha é porque provavelmente já percebeu esses riscos e decidiu não enfrentá-los. Pois bem ... eu gosto de levar a vida com certa emoção e sempre que posso me arrisco um pouco na culinária. Com o tempo adquiri experiência e assim pude juntar várias situações adversas que todo chef passa.

A primeira coisa que fazemos quando desejamos elaborar qualquer prato é separar os ingredientes que vamos usar. Aí já começa o caos. Nunca temos tudo o que precisamos e é exatamente por isso que eu nunca sou capaz de executar meus pratos duas vezes. Eu sempre substituo um ingrediente por outro ... troco um pouco de tempero aqui ... uso outro vinho ... não importa ... nunca faço igual !!

Eu não sou um cara rico, portanto não tenho a praticidade de todos os aparelhos disponíveis para uma cozinha. Admito também que apesar de possuir alguns, ainda assim eu não os uso pela falta de praticidade, porém é exatamente por esse motivo que muitas vezes eu me machuco. Fala sério ... aquele tal de MULTIPROCESSFOODMAXPOWERTURBO com 10 lâminas cambiáveis, 18 velocidades e três recipientes ajustáveis nunca saiu do armário. Dá um medo danado de usar e, depois que o uso, - nunca consigo montá-lo novamente.

Quem inventou o ralador de alimentos não se deu conta da anatomia dele. Tenho inúmeros e todos me parecem ter algum tipo de atração pelas pontas dos meus dedos e uma repulsão por qualquer tipo de alimento. Nesse fato, eu ressalto que também descobri que sangue pode temperar inúmeros alimentos, inclusive saladas. Destaco ainda que nenhum deles facilita a vida de um canhoto. Se você é destro, agradeça o presente que Deus lhe deu. A vida de um canhoto na cozinha é um caos ... abrir uma simples lata de milho é um trabalho hercúleo para quem não tem um pouco de ambidestria. Destaco ainda que fechar um pote ou uma garrafa pode ser extremamente complicado para quem vê tudo ao contrário.

Outro ponto importante no processo de criação gastronômica é a escolha dos recipientes. Com o passar do tempo, concluí que minha cozinha recebe fortes influências mágicas. Sempre que busco uma panela, visualizo um determinado tamanho e calculo mentalmente o volume de comida que irei fazer para caber naquela vasilha. Eu sempre erro!! SEMPRE !!!! Outra grande forma de avaliar essa influência mágica é o sumiço das tampas das panelas; basta precisar de uma para que ela automaticamente entre em modo oculto e posso procurá-la por toda minha área de visão, pois ela só retornará ao modo disponível quando a esposa é consultada. Enquanto procuro insanamente a porcaria da tampa, a comida no fogão é esquecida ... e, obviamente, queimo um ou dois pratos. Claro que nesse caso a lei do famoso profeta Murphy impera e o prato que queimará será justamente aquele que não tenho os ingredientes para substituí-lo.

Seguindo a linha dos riscos na cozinha, focarei agora nas nossas habilidades mentais. Sempre me impressiono com a distração que meu cérebro adquire assim que entro na cozinha. Quando estamos cozinhando, é normal provar aquilo que fazemos para saber se a quantidade de tempero está boa ou se falta algo. Nesse momento, a fim de não contaminar a comida, colocamos um pouco do alimento na mão e levamos à boca. Perdi a conta de quantas vezes, ao colocar um molho na mão e percebê-lo quente demais, automaticamente levei-o à boca e suguei o caldo, queimando, assim, os lábios e a língua. No resumo, - sempre acabo com as mãos e a boca queimada. Nessa mesma falta de raciocínio lógico, cansei de queimar a mão em reflexos destituídos de qualquer senso de esperteza. Basta uma panela ou vasilha escorregar, um tabuleiro ameaçar cair, um refratário deslizar que meu cérebro acusa perigo e logo leva a mão para aparar o descuido. O que meu cérebro infelizmente não apura é que normalmente todos esses utensílios acabaram de sair do fogo.

Analisando um pouco meu passado, percebo que mesmo com certos traumas - jamais desisti de cozinhar. Certa vez, ao chegar à casa da minha avó paterna e observar um enorme tacho de cobre cheio de doce de leite, não resisti à tentação e enfiei o dedo na panela para provar um pouco. O doce acabara de ser feito e, logo, o dedo entrou em brasa, novamente o meu cérebro com toda sua inteligência levou a mão à boca que, insanamente, puxou o doce. Dedo e lábios queimados e lágrimas escorrendo pelo rosto. Nesse ponto eu já deveria ter desistido da culinária, mas até hoje mantenho o empenho. Os pratos ficam prontos, a comida não é tão ruim ... e a minha esposa teima em dizer que ama tudo o que faço para ela. Então, por que eu pararia de cozinhar ?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ORAÇÃO DO PEREGRINO


Se você me ama, não chore.
Se você conhecesse o mistério insondável
do céu onde me encontro...
Se você pudesse ver e sentir o que eu sinto e vejo
nesses horizontes sem fim
e nesta luz que tudo alcança e penetra,
você jamais choraria por mim.
Estou agora absorvido pelo encanto de Deus,
pelas suas expressões de infinita beleza.
Em confronto com esta nova vida
as coisas do tempo passado,
são pequenas e insignificantes.
Conservo ainda todo o meu afeto por você
e uma ternura que jamais

lhe pude em verdade revelar.
Amamo-nos ternamente em vida,
mas tudo era então muito fugaz e limitado.
Vivo na serena expectativa de sua chegada,
um dia... entre nós.
Pense em mim assim: nas suas lutas pense
nesta maravilhosa morada
onde não existe a morte
e onde, juntos, viveremos no enlevo mais puro
e mais intenso,
junto à fonte inesgotável de alegria e do amor.
Se você verdadeiramente me ama,
não chore mais por mim.


“EU ESTOU EM PAZ”.




terça-feira, 4 de setembro de 2012

UMA IMENSA SAUDADE




Hoje não há palavras fluindo com facilidade para o fundo branco do tela ...


Na cabeça uma imensa saudade de tantos bons momentos compartilhados ...


Uma saudade dos deliciosos odores vindos da alquimia na cozinha ... dos risos das histórias contadas ... da fartura das festas de família ... das petecas feitas de jornal ... dos pulovers de lã ... dos imensuráveis cafés da manhã em Três Marias e dos deliciosos pezinhos para fora do cobertor na hora de dormir.


No coração algumas lágrimas ... não de lamento, mas de pesar por saber que ela não estará mais na cozinha, fazendo algum doce gostoso e me esperando para lanchar !!


O casal que me ensinou o que é o amor e a paciência ... hoje está junto novamente.

Espero que ambos continuem nos abençoando!!


Sua benção minha vó ...


E como disse o bom padre ... até breve !!


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

COISAS QUE HOMENS NÃO ENTENDEM

          

Se você é homem e gosta de mulheres, em algum momento já passou pelas mesmas situações que irei descrever e se perguntou exaustivamente o motivo de tudo aquilo. A resposta meu amigo, não existe em nosso cérebro... a evolução apagou para nos poupar o sofrimento.


A primeira situação conturbada na vidas a dois é o dia em que decidimos viajar com a companheira. Nós, na nossa humilde existência, planejamos um tranquilo e gostoso final de semana no campo. Preparamos uma simples mochila com tudo o que precisamos e ainda com espaço para levar algum lanchinho. Surge, então, a mulher com uma mala JUMBO e reclamando que não há espaço para tudo o que ela quer levar, como aquela sandália de salto alto que combina com o vestido preto tubinho. É nesse momento que o homem surta. Vou tentar explicar o que acontece nesse momento: o processo de evolução feminina é diferente do homem. Nós evoluímos caçando em longas distâncias e aprendemos a viajar levando somente o necessário. Já as mulheres, evoluíram num processo nômade. Esse processo disparou na mente feminina um alerta inconsciente, dizendo que toda vez que elas viajam devem levar tudo o que possuem, pois jamais retornarão ao local de origem. Dessa forma, podemos perceber que quando uma mulher viaja, ela leva uma mala de mudança. Não devemos reclamar das malas... nosso dever é ajudar nesse processo e facilitar sua organização, mostrando que determinadas peças não são adequadas para o local da viagem e podem ser deixadas para trás. Se nós somos mais capazes de organizar nossa mala, devemos também ajudar a mulher nessa tarefa. Se você não faz a sua ... não reclame do peso da dela !!


          
              A segunda situação que enlouquece os homens são as compras. Nós homens compramos o que precisamos... mesmo tendo que pagar um pouco acima do que achamos justo. A mulher não funciona assim, ela compra tudo aquilo que acredita estar em um preço abaixo do mercado, mesmo não precisando. Essa forma de conduzir os bens de consumo também é explicada pela evolução. Ainda no processo de caça, nós aprendemos a caçar o que conseguimos e precisamos. Temos objetivo, foco em determinada presa. Quando finalmente a abatíamos, deixávamos as tripas e os ossos para trás, levando apenas o que era necessário. As mulheres eram colhedoras. Aprenderam observar o que estava disponível no ambiente e aproveitar aquilo que lhe era oferecido. Ela tinha que usar qualquer alimento ou utensílio, mesmo que não estivesse precisando, visto que aquela oportunidade poderia não surgir novamente. A mulher aprendeu também a estocar, pois sabia que em determinados estações o que ela estocou no período anterior poderia ser muito útil. Nesse processo, temos que ajustar o foco das nossas mulheres, lembrando-as das reais necessidades e do que precisamos ou não... sem estresse... sem bronca. Sem isso, não podemos reclamar quando nossa esposa sai para comprar uma camisa de trabalho e volta com duas sapatilhas e sem qualquer camisa. Ela simplesmente aproveitou as oportunidades que o mercado ofereceu.

           
             Por último, relato o fato que provavelmente mais enlouquece os homens... o longo período de espera que precede qualquer saída, enquanto ela se arruma e se embeleza. Claro que nós sabemos que toda essa arrumação é para encher nossos olhos de orgulho, mas, mesmo assim, nos incomodamos com o insistente atraso. Essa justificativa é talvez a mais óbvia em toda a evolução humana. Em praticamente todos os mamíferos, são as fêmeas que escolhem os machos. Os machos alfas simplesmente disputam pelo reinado de determinado número de parceiras sexualmente ativas que podem ter. Por que lutamos entre nós? Lutamos para mostrar às fêmeas que somos mais fortes e, portanto, a melhor escolha para a cópula, gerando, assim, filhotes com maior qualidade genética. Todas as fêmeas aprenderam a manter o macho com a sensação de desejo. Elas consideram qualquer homem um macho em potencial. Enquanto oferecermos segurança, tranquilidade e atenção, elas estarão conosco, mas isso não as impedem de estarem lindas para que outros as apreciem. Assim, seu tempo de preparação é evolutivamente justificado. Não devemos reclamar dessa demora... devemos nos encher de orgulho por percebermos a linda mulher que está ao nosso lado. Se perceber algum olhar masculino mais atento na sua mulher, nada de ciúmes bobos... apenas a segure forte e mostre para o cara com quem ela está. Um beijo na boca bem dado pode ser muito mais eficiente do que qualquer demonstração de agressividade!! Seja confiante e perceberá sua mulher se derreter em seus braços.


            No resumo da história, todos nós somos cercados por instintos que nos antecedem. Ciente de tudo isso, ainda assim me descontrolo algumas vezes com minha mulher... mas aqui aproveito para pedir desculpas e dizer que vou tentar ser mais comedido nas reclamações.